23 de jul de 2011

Será que acabou?

Num engarrafamento
um ar meio bolorento
sai da ventilação,
ouço uma velha canção,
como tantas outras
que nos perguntam
do velho coração.
Nas palavras de Gentileza
escritas num pilar sujo,
talvez haja alguma lição,
algo velho pra um novo mundo.
Entre as buzinadas surdas
penso em coisas simples
que se tornaram absurdas,
o amor de um poeta por sua musa,
e tudo que a segura razão
faz para nublar a emoção.
Grita na rua chuvosa
outro profeta indigente,
que 2012 vem ai,
e acabou pra gente!
Porém o coração se nega
a plantar essa semente,
enquanto houver água de poesia,
uma arvorezinha nascerá
entre as pedras frias.

(Para ...)

30 de mai de 2011

No Tempo No Espaço

Quando tive tempo
não havia espaço.
Quando tive espaço
não havia tempo.
Do ardente sonho
não me desfaço,
nem recomendo
seguir pelo mundo
do desejo correndo,
uma hora na vida
ele te emprensa no muro,
difícil continuar
a emoção escondida.
Do tempo
fiz ação,
criando implemento.
Do espaço
fiz localização,
para me encontrar
nesse azul imenso!

Oração

Oro...
por um dia.
Oro,
por um minuto,
que a felicidade
não seja um absurdo,
guardada num livro
num armário lá no fundo.

Oro...
para que a coragem
não seja só uma imagem,
natureza morta
pendurada numa parede
pelo receio e comodidade.

Oro...
para minha liberdade
ser sua pungente vontade.
Para que não exista
só uma verdade,
só uma maneira
de passar a tarde.

Oro...
para que toda culpa e medo
se tornem nova oportunidade.
Para que o amor
seja uma afirmação
de toda nossa eternidade!

Oro...........