28 de set de 2017

Torpor



Antes que ele me domine
e as idéais mine,
garimpo a poesia
para que o sonho se afine,

diferente da realidade mesquinha
quanto mas a língua afia,
mas juntamos esparsos grãos
que a cisca a galinha.

Antes que lembre da dor,
quero rubras bochechas
cheias de torpor,

quero canção antiga
de Raul Seixas,
virando de criança cantiga

7 de set de 2017

Menina dos Átomos do Céu


Valente...
Covalente....
Ambivalente....
Você sempre na mente,
o coração rubro vira céu,
desvela do azul o véu,
que átomos traduz
reverberando alva luz
nas telas camistas
me diz de suas vinhetas.
Assombro nos assola,
pois depois de gastarmos
dos sapatos tanta sola,
incrível aqui estarmos
perplexos diante dos astros,
que fazem nos encontrar.


Para Maia

5 de set de 2017

Poesia da Noite

Um gole de cerveja...
Um sonho na mesa,
mortadela e calabresa,
mais um gole as avessas.

A mochila cheia de livros,
um velho casaco,
o garçom da o aviso,
o fechar das portas num estalo.

Na rua deserta,
o caminho de casa é uma reta,
conto meus passos,

ouço dos morcegos o guinchado,
Batmans nos telahados?
chego em casa embriagado.

8 de ago de 2017

Poema da Manhã

Quatro e meia...
uma taça de vinho ainda cheia,
dorsinha chata na cabeça,
desperto querendo que não alvoreça.

Mais um cochilo...
escuto um faceiro grilo,
na verdade do gato um estremido,
fome de um rajado felino.

Segunda e suas vicissitudes,
pragmatismo e suas atitudes,
tenho que levantar,

e mais uma semana enfrentar,
o que fazer?
Vamos lá!

21 de out de 2016

Réquiem de Inverno

Meio que distante ainda vejo
nesse pingo de suor,
de frio um desejo,
que sol fosse amável e melhor.


Queria um vento desencanado,
sem curvar pelo concreto armado,
da cidade que o asfalto crepita,
da busina que no ouvido apita.


Apesar de a beira mar,
a quilômetros o oceano há,
e meu céu seu azul não pode tocar.


O ameno Inverno fenece,
o firmamento enrubesce,
o verão a terra aquece.


22 de ago de 2016

Da Vida...

Nada está a contento,
vivo da alma ao relento.
nem eu mesmo entendo,
porque o descontentamento.

Devia olhar o sol
e alegre sorrir,
mas só vejo dos livros o pó,
preguiçoso volto a dormir.

Um acorde metal desperta,
intelectual cócega, incerta,
partilho linhas indiscretas

nalgum cibernético comunicador,
com carinhas sem muito furor,
sublimo alguma dor...

29 de jul de 2014

Além da Razão

Entendo agora
toda a mediocridade,
da qual quando jovens
desesperadamente fugimos.

Na minha solidão,
cercada por mundos intelectuais.
Da mesa do bar,
apego-me ao cotidiano casual.

Sobre o copo pouso a mão,
entendo que para muitos
basta pisar o chão.

Para outros como eu,
é necessário sonhar
muito além da razão.