29 de dez de 2010

Maldito Poeta

A maldição do Poeta
é cantar o amor da mulher
que ele não pode ter,
cantar a beleza de um mundo,
que não vai chegar a ver.
Realidade sem completude,
pois falta aos homens a atitude,
de deixar os sonhos solitários,
esse discurso temerário
de que só o “possível”
é o melhor, o acertado,
mas quanto do real é invisível?
Como a força do átomo,
como o desejo represado
de voar como pássaro,
desde a Grécia de Ícaro sonhado,
só por Santos Dumont realizado,
num aparelho estranho,
do que o ar muito mais pesado!
Quanto será mais dito impossível?
Quanto será julgado improvável?
Para depois vermos crianças no ginásio,
mexendo em complexos computadores
como nós outrora brincávamos com baralhos.
O Poeta continua a cantar a bela mulher,
como sempre as coisas que a mão não alcança,
no seu versar ele ardentemente quer.
Então faz da palavra lança,
para atingir o coração que se encanta!

(Para.....)

13 de dez de 2010

De Novo

Tem um dia que é novo,
mas algo de muito antigo
carrego no peito escondido.
Quando ando pelo meio do povo,
vejo o que é velho
ser reprocessado , renovado
do chão ao teto.
E de novo tenho que olhar pra dentro,
ficar repensando e revendo,
tudo que andei, todo esse movimento.
Para redescobrir o que já sei,
quem fui lá no começo, lá atrás,
para agregar mais uma qualidade,
para chegar a um pedacinho de paz.

(Para....)

12 de dez de 2010

Mambembe

Estrada de arte,
que nos leve por onde for,
seja aqui ou em marte,
por caminho de alegria ou dor,
alguns escutarão uma canção,
outros uma reclamação.
O caminho é mambembe,
uma certa arte circense,
de ver no prato caviar,
apesar de saber
que feijão é que está a saborear.
Como um blues da madrugada,
deixo partir a amada,
pois nem uma ilusão
sobrevive a luz da alvorada.
A concretude do gosto do café,
é o que sobra, voltando para casa a pé,
sonha o poeta mambembe
com mais uma noitada
de luzes, sabores e gente.

(Para.....)

11 de dez de 2010

Paracetamol

Onda...
Pontada...
Espasmos....
Tudo como facada
que vem do nada,
ou vem de dentro
da bungunça do corpo dizendo,
a dor se instala num corpo desfalecendo.
Alívio....
mesmo que temporário.
Uma sensação de vazio,
como dia sem canto de passarinho,
tudo muito quietinho,
é assim a dor se indo.
Mas só uma coisa eu queria saber:
Tem paracetamol
para o coração não doer?

(Para......)